Top 5

Faye Dunaway e Warren Beatty como Bonnie e Clyde.

# Primavera Muito Louca

Becky (Parker Posey), Judi (Rachel Dratch) e Gayle (Amy Poehler) são três amigas que se encaixam perfeitamente no protótipo de loser dos filmes americanos. Ingênuas, solteiras e infantis as três têm a chance de reviver os tempos de faculdade curtindo com os jovens durante suas férias.

Becky trabalha para uma senadora mexicana cuja filha “certinha” decide fazer de tudo para recuperar o namorado durante as férias. Para cuidar da reputação da jovem e consequentemente a da sua mãe, Becky viaja com suas amigas para bancar a babá. Entretanto, suas amigas Judi e Gayle tem um propósito bem diferente e entram na festa.

Como seu título sugere, Primavera Muito Louca (Spring Breakdown, Estados Unidos, 2009) é um filme recheado de situações forçadas e momentos clichê. Cegos, gays, loiras burras, mulheres inteligentes, mulheres da política são alvos de piadas nem sempre divertidas. Piores ainda são os momentos em que Becky tenta convencer a filha de sua chefe de que as mulheres devem ser prezadas pelo seu cérebro e não somente pelo corpo.

Para sorte do público Amy Poehler é uma ótima comediante e sua Gayle hilária. Junto com Sophie Monk (que assume o papel de “loira vadia”) ela protagoniza os melhores momentos do filme. E justamente os únicos que valem a pena. Talvez por isso o filme tenha sido lançado diretamente em DVD no Brasil.

Trailer:

# Sob o Domínio do Mal

Veterano da Guerra do Golfo, Raymond Shaw (Liev Scheiber) foi condecorado herói por salvar toda sua unidade. Sua mãe, Eleanor Shaw (Meryl Streep) controla com mãos de ferro sua carreira política com o objetivo de levá-lo a presidência.

Bem longe da Casa Branca, Ben Marco (Denzel Washington) também ex-combatente do Golfo e um dos soldados supostamente salvos por Raymond, convive com pesadelos e lembranças que contradizem a versão “oficial” dos fatos, aquela que desenha Raymond como herói e sob a qual Eleanor constrói sua campanha.

Destinado e dissolver os enigmas de sua memória, Ben irá até Washington onde descobrirá que ele e outros soldados sofreram lavagem cerebral para acreditar no heroísmo do presidenciável. Este também se revelará somente mais uma vítima do golpe e mais além, um marionete da própria mãe. Obviamente, Ben será desacreditado, o FBI será envolvido na trama e alguns tiros e mortes acontecerão.

Lançado no auge da Guerra do Iraque e no ano de reeleição de George W. Bush, Sob o Domínio do Mal (The Machurian Candidate, Estados Unidos, 2004) poderia ter se saído muito bem na tarefa de criticar o uso da guerra para o marketing político. Remake de um homônimo dos anos 60, além de naturais comparações o filme foi vítima da atualização do roteiro cujo teor de ficção científica poderia ter sido mais refinado. E que se preocupa basicamente em colocar Ben e Raymond como vítimas da gananciosa Eleanor e não do belicismo em si.

Entediante do início ao fim, em Sob o Domínio do Mal salva-se apenas Meryl Streep em outro bom desempenho num filme sofrível.

Trailer:

# Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Alvy Singer (Woody Allen) é um cara urbano, comediante, judeu e careta que faz análise a quinze anos. Annie Hall (Diane Keaton) é uma garota do interior que sonha em ser cantora. Absolutamente independente e descolada, Annie conquista Alvy e eles vivem juntos durante um bom tempo. Após o término do relacionamento, Alvy conta a história deles no que chama “fluxo de consciência”. A partir daí resta ao público curtir o nascimento e o desenrolar de um romance sabido “fracassado” ou dito de uma melhor forma, sem o final feliz pressuposto em uma comédia romântica.

A afinação e química entre o casal é indescritível. Seja o diálogo sobre lagostas, sexo, ou drogas, os dois completam-se perfeitamente. Mesmo o figurino masculinizado de Keaton parece refletir sua Annie como uma parte da personalidade de Alvy. Isto é, seu lado sensível, corajoso e arrojado.

Allen e Keaton são sensacionais em seus papéis. Ambos são carismáticos e engraçados, e fica difícil não torcer para que fiquem juntos. O destaque fica para cena em que os dois se cortejam enquanto tentam adivinhar o que o outro está pensando. Ou quando Alvy declara-se afirmando ser Annie “perversa polimorfa”. Ou ainda quando ela canta “Seems Like Old Times“.

Filme que consolidou Woody Allen entre os grandes diretores, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, Estados Unidos, 1977) é sem dúvidas a obra que resume as melhores características de seu trabalho: doce, original e divertida. É uma tarefa difícil tentar reduzir todas suas qualidades e méritos em poucas linhas. Talvez seja melhor arriscar afirmar que depois de ver essa obra toda comédia romântica parecerá meia-boca.

Ah, nunca é demais lamentar pelo horrível título nacional.

Seems Like Old Times:

# O Roqueiro

Robert “Fish” é um cara esquisito e ressentido. Outrora fizera parte de uma banda que alcançou muito sucesso logo após sua saída. Embora tenha conseguido um emprego medíocre, Fish nunca esqueceu o sonho de ser um rock star. Uma vez que é demitido, ele decide passar o tempo na casa de sua irmã, quando começa a tocar com a banda de seu sobrinho. Um clip deles ensaiando vira hit no Youtube (não só pela musicalidade, mas também pela nudez e estranheza de Fish) e então a banda sai em turnê. Desta forma, como comédia barata que é, o filme mistura ao protagonista tosco a jovens sonhadores e músicos (que após sucessos como Hannah Montana e High School Musical estão se popularizando cada vez mais). O romance é adicionado pela entrada de Kim (Cristina Applegate) na trama e seu interesse por Fish.

Para atores de televisão é muito difícil abocanhar bons papéis no cinema. Depois de anos interpretando a mesma personagem é improvável que eles consigam uma diferente daquela com a qual o público sente-se confortável. Rainn Wilson (do seriado The Office) é bom exemplo. Em O Roqueiro (The Rocker, Estados Unidos, 2008) tudo o que ele faz no papel do protagonista é repetir as expressões e maneirismo que apresenta toda semana na televisão. Seu Fish é exagerado e caricato, mas essa parece ser intenção genuína da personagem. Como não há muito na película fora seu protagonista, sua atmosfera geral acaba refletindo essas características. E o saldo não é bom. Portanto, O Roqueiro não é uma recomendação a se dar.

Trailer:

# Uma Rajada de Balas

Bonnie (Faye Dunaway) conhece Clyde (Warren Beatty) no momento em que ele tenta roubar o carro da mãe dela. Mas ao invés de assustá-la, ele a excita. Entediada com seu trabalho de garçonete, Bonnie deixa sua pequena cidade para roubar bancos ao lado do parceiro e amante. Logo os dois estarão na lista de mais procurados de vários estados. Mas para eles, fugir ou quase morrer em conflitos com a polícia era uma melhor idéia do que voltar às suas vidas medíocres e monótonas.

Blanche (Estelle Parsons), a cunhada de Clyde, é a única que se recusa a aceitar esse estilo de vida. Para ela, Bonnie e o cunhado estão levando seu marido para o caminho da corrupção. Seus conflitos com Bonnie são inevitáveis e irão contribuir para a dissolução do grupo.

Tamanha tensão, entretanto, não tira o brilho do romance entre os protagonistas. E nem mesmo a falta de beijos ou cenas de sexo o faz. Bonnie e Clyde podem formar um casal condenado, mas ainda assim cúmplice. Corta a coração ouví-la declamar uma balada que escreveu sobre eles dois. Ou antecipar o fim deles.

Beatty e Dunaway são fenomenais nos papéis principais. E certamente, contribuíram bastante para que estes se tornassem icônicos.  Parsons, Michael J. Pollard (C.W.) e Gene Hackman (Buck) juntam-se a eles em um ótimo desempenho também.

Lançado no fim dos anos 60, Uma Rajada de Balas (Bonnie & Clyde, Estados Unidos, 1967) influenciou muitos filmes lançados na esteira de seu sucesso, Um Dia de Cão e Taxi Driver são exemplos. Todos possuíam em comum o forte apelo com o público jovem, uso da violência estilizada e o retrato de personagens marginais. Obviamente essa referência se dilui tornando possíveis filmes como Duro de Matar 4, mas ainda assim Coen, Tarantino, e outros ainda lhe devem.

Trailer:

E se eu tivesse que ordená-los:

1º Uma Rajada de Balas

2º Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

3º Primavera Muito Louca

4º Sob o Domínio do Mal

5º O Roqueiro

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